quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Últimos passos do vereador Marcelino Chiarello


O que significa dizer que a Filosofia está rodeada de inimigos?




Esta era uma das cinco perguntas que o vereador e professor Marcelino Chiarello, deixou para os alunos de Filosofia, dos dois últimos períodos da Escola Pedro Maciel, na manhã de segunda-feira.


As perguntas ainda estão no quadro da escola. A sala número 32 foi trancada e não será mais utilizada neste ano. Surpreendentemente ele não deu as duas últimas aulas naquela manhã.



–Ele nunca fez isso, era um excelente professor- explicou a diretora da escola, Clarisse Pressi. Ela relatou que naquela segunda-feira Marcelino estava diferente do normal. Ele chegou por volta das 7h30 na escola.


-Eu perguntei algo que ele tinha conhecimento e ele respondeu que não sabia do que eu estava falando- lembrou a diretora.


Os alunos relataram que o professor estava estranho, demonstrando ansiedade e nervosismo. Durante as três aulas que deu, recebeu inúmeros telefonemas. Ele deixou o celular em cima da mesa, no modo silencioso, e algumas vezes saía da sala para atender as ligações. Chegou a buscar água várias vezes e demonstrava nervosismo.


A orientadora pedagógica Vanda Casagrande foi a última professora a falar com ele. Vanda chorou quando entrou na sala e viu as últimas palavras escritas pelo colega.



–Olha a pergunta número quatro- mostrou.



Marcelino comentou com a professora que estava estressado e teria que tomar algumas decisões, entre elas deixar a vida pública. Marcelino disse que estava sofrendo ameaças.



No intervalo ele ficou na sala de aula, deixou fechou as médias de notas dos alunos e depois saiu sem falar com ninguém. Os diários de classe ainda estavam no seu armário, na sala 32.



A diretora afirmou que Marcelino deixou a escola sozinho, em seu Voyage Preto. O delegado Ronaldo Neckel Moretto disse que as investigações apontam que ele somente foi na escola na manhã de segunda-feira e que teria chegado sozinho em casa. Lá, encontrou o filho Eduardo, de 10 anos, e sugeriu que ele fosse almoçar na avó, que mora perto, como fazia todos os dias. Quando voltou para casa junto com a mãe, como fazia todos os dias, encontrou o pai supostamente enforcado.

O delegado Moretto disse que ninguém viu o assassino entrar. Ontem foi realizada uma nova perícia no local e, segundo outro delegado, Augusto Mello Brandão, o assassino entrou pela porta da frente da casa. –Não há sinais de arrombamento- explicou. Só não sabe em que circunstâncias que isso ocorreu. Se alguém entrou junto com Marcelino, se o autor bateu na porta e o vereador abriu ou se alguém já estava dentro da casa.



O passo a passo do Vereador na manhã de segunda-feira



1. Sai de casa por volta das 7h15min e vai até a escola Pedro Maciel

2. Chega à escola de carro por volta das 7h30min

3. Inicia a aula e o celular toca por diversas vezes a partir das 8h

4. Ele sai da sala para atender

5. No intervalo, conversa com uma orientadora

6. Volta para a sala de aula. Alunos notam que ele está nervoso.
7. Aula termina às 10h. Ele permanece na sala fazendo as médias dos alunos e deixa um trabalho com cinco perguntas para a turma seguinte, que entraria às 10h15min.
8. Por volta das 10h15min, ele sai da escola sem falar com ninguém
9. Chega em casa por volta das 10h30min e manda o filho almoçar na casa da avó, onde ele sempre almoçava
10. O vereador foi encontrado morto no quarto de visita de sua casa por volta das 11h45min. Ele estava amarrado com uma fita de nylon no pescoço presa na grade da janela.


Segundo a Polícia Civil ninguém estava em casa na hora do homicídio do vereador de Chapecó.

Fonte: ClicRBS Chapecó
Foto: Sirli Freitas

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