sábado, 10 de dezembro de 2011

Morte de Marcelino Chiarello intriga a polícia e a comunidade

Quem matou Marcelino Chiarello? Esta é a pergunta que ecoa por Chapecó desde o dia 28 de novembro, quando o vereador foi encontrado morto em sua casa, numa cena de suposto suicídio.




Desde então, surgiram dezenas de teses. Há boatos na cidade de que seria por dívida, droga, amante, adversários políticos, grupos econômicos e sociedades quase secretas.

– A gente recebe de tudo – disse o delegado que conduz as investigações, Ronaldo Moretto.

O delegado disse que não há nada relacionado a crime passional nem a dívidas.

– Ele era um cara bem caxias, que tinha a vida voltada para a política – explicou Moretto.

Há informações de que ele devia cerca de R$ 30 mil em bancos, um pouco para a sogra e amigos. Mas a renda bruta da família era de cerca de R$ 10 mil, entre o salário de vereador e os dois salários de professor, dele e da mulher. Mas, então, o que teria motivado a morte?

– Está tudo em aberto – responde o delegado.

Ele afirma que as investigações evoluem, mas não quer precipitar nada. Para o promotor Fabiano Baldissarelli, que acompanha o caso, o crime será desvendado quando for respondida a pergunta de quem ligou para o vereador enquanto ele estava na escola. Alunos testemunharam que ele ficou muito nervoso e saiu faltando duas aulas, deixando atividades no quadro.

A professora Vanda Casagrande falou com o colega naquela manhã, antes das ligações telefônicas. Ela relatou que Chiarello disse que iria renunciar naquele dia, pois estava recebendo ameaças. Ele não informou que tipo de ameaças, mas ela logo ligou o caso à atuação dele na vida pública.

– Ele não queria abandonar a escola, ele não queria abandonar a família, ele queria deixar de ser vereador – argumentou.

A professora disse que ele até estava preparando mais denúncias e chegou a comentar: ‘Dessa vez eu não escapo’.

Só que o professor tinha mania de brincar e, por isso, às vezes, as pessoas próximas dele não o levavam tão a sério. Lideranças do Partido dos Trabalhadores também afirmam que na pasta do vereador, que foi apreendida pela polícia, havia mais documentos do que foi encontrado. O que os documentos continham e se eles estão ligados ao crime é mais um mistério.

Outro mistério é por que Chiarello não chamou a polícia se estava sendo ameaçado. São muitas questões que alimentam as rodas de conversa e as teses enquanto o crime não é esclarecido.



>> Viúva de vereador recebe escolta da PM



Vizinhança amedrontada após o crime

Na vizinhança da casa onde Marcelino Chiarello morava, o clima é de consternação pela morte do vereador e de medo.

– Eu tenho um pouco de medo – disse Brandina Gromoski.

Ela é vizinha à casa da família e se sentiu exposta por dar entrevistas sobre o caso. Como ainda não sabe quem matou o vereador, não se sente segura. Para acalmar os moradores, a Polícia Militar está fazendo rondas frequentes na rua, como a flagrada ontem pela reportagem.



Na tarde desta sexta-feira, um veículo policial passou pelo local duas vezes em 10 minutos. A casa está fechada desde o dia do crime e a viúva de Marcelino está com escolta policial. Ela foi procurada pela reportagem, mas não quis dar entrevista.

Brandina lembra que estava dentro de casa naquela manhã, mas não viu nada.

– Não vi ele sair nem ele chegar – contou.

Sua filha chegou por volta das 11h30min e a casa ainda estava fechada. Minutos depois, chegaram a mulher, o filho e a sogra.

– A gente ficou chocada – disse a vizinha dos fundos, Romilda Boita.

Ela estava em casa, mas só ouviu barulho do choro quando chegaram os familiares. Outra vizinha, Zilda do Rosário, disse que a última vez que viu o vereador foi no domingo à noite, quando ele estava na sacada.

Nem a vizinha da frente, Celi Alves do Santos, viu alguma coisa.

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

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