terça-feira, 22 de novembro de 2011

Chapecó internacional

A madrugada corria solta e, no bar, músicos de várias bandas se congratulavam enquanto devoravam deliciosos pastéis recém-saídos do forno. Pedi dois espressos e a atendente me interpelou: pequeno ou médio? Pedi o médio, e me surpreendi em seguida com a chegada de dois baldes fumegantes de um líquido denso e negro.


Paulo Miklos, a quem eu oferecia o outro café, sorriu: quer que eu sofra uma overdose de cafeína? Um percussionista baiano, às voltas com um lábio queimado depois de tentar morder um pastel incandescente cujas entranhas expeliam cinza vulcânica como o Puyehue em erupção, pediu uma cerveja gelada numa tentativa de aplacar a queimadura.

Ao procurar uma mesinha vaga, encontro Margareth Menezes num canto do bar e nos abraçamos: “vocês por aqui?”, ela pergunta. “Pois é”, acabamos de fazer um show”, explico. “E aquele show que faríamos juntos e foi cancelado pela chuva?”. “Nem me fale. Só parou de chover em Salvador na semana passada…”. O dia começa a nascer e vejo numa sala contígua ao bar a cantora Marina sentada numa cadeira. Ela me acena, sorridente. “E aquele ali, ao lado da Marina”, pergunto ao Paulo, “não é o Jacob Solitrenik, fotógrafo de Bellini e a Esfinge e de É Proibido Fumar?”. “Ele mesmo”. Um estrondo chama a atenção de todos: alguém deixou cair no chão um prato de bateria…

Se você pensa que estávamos num bar da Lapa, no Rio, ou da Vila Madalena, em São Paulo, esqueça. Uma voz anuncia o embarque para o voo da Avianca que nos levará até São Paulo e Rio. Esse agito todo ocorreu no aeroporto de Chapecó, Santa Catarina, que na madrugada de sábado para o domingo foi por alguns momentos o centro do universo.

Por Tony Bellotto
http://veja.abril.com.br

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