segunda-feira, 25 de julho de 2011

Motoristas e agricultores fecham entrocamento de BRs no Extremo-Oeste de Santa Catarina

Protesto ocorreu na ligação entre as BRs 282 e 158 na manhã deste domingo


Por mais de duas horas e 30 minutos o entroncamento das BRs 282 e 158, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, ficou fechado neste domingo. O bloqueio foi feito por agricultores e motoristas de Cunha Porã, Maravilha e Saudades, que aproveitaram o Dia do Colono e Motorista, comemorado na segunda-feira, para chamar atenção às necessidades das categorias. O protesto ocorreu das 9h45min às 12h15min. Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), houve filas de três quilômetros.

Mais de mil pessoas reivindicaram a construção de um trevo no local, para dar mais segurança aos motoristas; a aprovação do Código Ambiental pelo Senado nos mesmos moldes que foi aprovado na Câmara dos Deputados e a anulação da Portaria Declaratória que reconheceu como área indígenas 2,7 mil hectares que abrange terras dos municípios de Cunha Porã e Saudades.

Portaria que declara área como indígena gera polêmica

Estudos contratados pela Fundação Nacional do Índio (Funai) apontaram que índios Guarani viveram na região. Atualmente um grupo de aproximadamente 70 Guaranis mora numa aldeia Kaigang, em Chapecó. De acordo com o coordenador do projeto, Euri Jung, a portaria que declarou a área como indígena foi assinada em 2007, pelo então ministro da Justiça, Tarso Genro. Os agricultores recorreram e conseguiram uma decisão favorável na Justiça Federal, em Chapecó. A decisão foi reformada no Tribunal Regional Federal em Porto Alegre, que suspendeu a liminar em favor dos agricultores, mas manteve a posse deles até uma decisão final.

São 170 famílias que moram no local segundo Leonel Tidre, coordenador do movimento em Defesa da Propriedade, Dignidade e Justiça Social, criado para defender os agricultores. Entre elas está o casal Antônio e Renita Ely. Eles têm 33 hectares onde moram seis pessoas da família. A terra foi comprada pelo pai de Antônio há mais de 50 anos.

— Nós somos os legítimos donos— afirmou Renita.

Antonio Rossa, que também mora na área, considera uma injustiça a intenção de criar uma área indígena no local.

— Querem colocar os índios aqui e nós vamos para onde? questionou. O agravante é que a União não indeniza terras reconhecidas como indígenas.

A prefeita de Cunha Porã, Luzia Vacarin, disse que a administração e o comércio do município apoiam os agricultores pois eles são responsáveis por 67% do movimento econômico da cidade.

DC
Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

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