domingo, 10 de julho de 2011

Especial: 1983, o Ano da Devastação

17:06


Nesta semana a maior tragédia climática que já assolou a região completou 28 anos



Nas fotos, enviadas pelos leitores do portal ederluiz as marcas da destruição da enchente de 1983 em Joaçaba, Herval d´Oeste e Luzerna

O ano de 1983 jamais sairá da memória de todos os moradores da região Meio-Oeste do Estado. Há exatamente 28 anos o Rio do Peixe se transformava em um mostro assustador, que com sua fúria provocou destruição em todos os municípios do vale.


Desde Caçador, até Capinzal, todas as cidades que se ergueram ao lado das águas tranqüilas do rio viram patrimônios serem devastados, numa catástrofe da natureza que até hoje, ainda, não teve precedentes.



Relatos da época, como o do radialista Ailton Viel, dão uma noção do que se passou no dia 7 de julho de 1983, quando as águas tomaram conta das áreas centrais das cidades de Capinzal e Ouro.

"Às 6 horas da manhã acordei com um telefonema do então prefeito Celso Farina me falando que precisava da ajuda da emissora, pois o rio está subindo rápido e precisava de todos os funcionários da Prefeitura para socorrerem as famílias que moravam na rua Beira Rio". Ali residiam mais de 100 famílias.


Viel foi então verificar a situação do rio, que já saía de seu leito. Chovia muito em todas as cidades da região e as águas continuavam a subir. Do município de Ouro, o prefeito da época, Domingos Boff, também conclamou seus funcionários, pois já estavam ocorrendo quedas de barreiras e as águas ameaçavam os veículos e equipamentos da Prefeitura.

O rio Capinzal, que corta o centro da cidade, e desemboca no rio do Peixe, foi sendo represado e suas águas subiam a medida em que subiam as águas do rio do Peixe, invadindo estabelecimentos comerciais e industriais. As estradas da região começaram a apresentar problemas, o trânsito na SC-303 foi interrompido, o centro da cidade de Lacerdópolis estava tomado pelas águas e barreiras haviam caído na rodovia de ligação com Joaçaba. O tráfego de veículos ligando Capinzal e Ouro à região de Joaçaba, foi desviado pelo interior de Ouro.

Com a chegada da noite, surgiam rumores de que a ponte Irineu Bornhausen não suportaria a correnteza. A ponte pênsil, pouco abaixo, já tinha sido levada pelas águas. O rio subiu até o início do dia 8. Por volta de meia-noite e meia ele começou a baixar, mas em alguns pontos o nível chegou a quatro metros acima da pavimentação das ruas.

Ao clarear o dia 8 de julho já não chovia mais. Ouro e Capinzal a exemplo das demais cidades do Vale do Rio do Peixe passavam a contabilizar as perdas provocadas pela maior enchente da história. Em Capinzal, 96 residências desaparecerem das margens do rio, 116 famílias ficaram desalojadas. Centenas de outras famílias desabrigadas. Praticamente todo o centro comercial foi tomado pelas águas. Os prejuízos eram incalculáveis.

Uma perda Histórica

Em Joaçaba e Herval d´Oeste a apreensão também não era pequena. As pessoas se aglomeravam nas ruas próximas ao Rio do Peixe para ver aquele “espetáculo” assustador que a natureza proporcionava. Famílias ribeirinhas corriam contra o tempo, vendo que a chuva não dava tréguas e que a água do rio aumentava seu nível. As rádios locais informavam que na região de Caçador a chuva também não parava, essa era uma informação preocupante. Enquanto chovesse na nascente, mesmo que nos demais municípios parasse, o nível continuaria aumentando. Em Luzerna a parte baixa e mais próxima do rio já era devastada pela força das águas. As residências ao longo da Avenida Caetano Natal Branco também. A enchente mostrava seu poder assustador arrastando vagões e até mesmo locomotivas na estação de Herval d´Oeste. Mas, a prova de que aquela era mesmo a maior catástrofe que já assolou a região estava ainda por acontecer.

Joaçaba e Herval d´Oeste se orgulhavam de ter a maior ponte construída sem auxílio de escoramento, fato inédito na história do concreto armado no mundo, a Emílio Baumgart, que levava o nome do engenheiro que a construiu. A ponte possuía o maior vão livre conhecido na época (68,5m) e foi construída por um método revolucionário devido a sua altura em relação ao rio e às suas repetidas cheias.

Mas, nem mesmo o que foi projetado para suportar ás águas, resistiu. Na madrugada do dia 8 de julho, pelos relatos de quem morava perto da ponte, só se ouviu um grande estrondo e foi possível perceber que a estrutura havia sucumbido.

A destruição foi gigantesca e reconstruir era a palavra de ordem. As lições do passado foram compreendidas, mas ainda hoje é possível perceber que alguns abusam da benevolência do rio do Peixe, que há um bom tempo não assusta tanto, porem não se sabe até quando.

Exemplo a ser seguido

O município de Capinzal foi um dos que mais investiu na retirada das famílias da beira do rio.

Um novo bairro, que leva o nome de Vila Sete de Julho, foi projetado na época para as famílias que perderam tudo na enchente. Um acerto, já que a área não sofre o mesmo risco, pois fica na parte alta da cidade. No local onde cerca de 100 casas foram levadas foi erguida uma bela área de lazer, que inibiu de certa forma que ocupações irregulares acontecessem.

Mas, outro passo está sendo dado agora, 28 anos após a tragédia. Recentemente o município foi selecionado no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2), com recursos na ordem de R$ 12,8 milhões, que poderão ser canalizados para a implantação de moderno núcleo habitacional que atenderá famílias residentes em áreas de risco.

As poucas famílias remanescentes que ainda ocupam terrenos próximos as margens, ou então em encostas e área sujeitas a deslizamentos, serão transferidas para um terreno onde serão feitas 162 unidades habitacionais, e com toda a estrutura, incluindo pavimentação asfáltica de todas as vias e oferta de serviços de água, energia elétrica e tratamento integrado de esgoto.

O projeto poderá ser assinado nos próximos dias, e servirá com um marco da luta para evitar que uma nova catástrofe possa devastar patrimônios e vidas, pelo menos em Capinzal.

Fonte: Site Edeluiz.com

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